Delegado da APTAFURG no CNG defende valorização das conquistas da greve e destaca desafios da conjuntura nacional
Representando a APTAFURG no Comando Nacional de Greve da FASUBRA, Patrick Matos Freitas foi o relator da reunião realizada nesta sexta-feira. Durante sua intervenção, apresentou uma avaliação da conjuntura e defendeu a valorização das conquistas alcançadas pela greve, ressaltando que os direitos da categoria sempre foram resultado da organização e da luta coletiva.
Patrick lembrou que, mesmo nos períodos em que houve importantes avanços para os servidores públicos, como nos primeiros governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as conquistas não ocorreram de forma espontânea. Segundo ele, apesar de haver um cenário econômico mais favorável em determinados momentos, a categoria precisou manter a mobilização para conquistar direitos.
“O cenário pode ter sido melhor ou pior em diferentes momentos da história, mas nunca tivemos nenhuma conquista sem luta. Sempre foi a mobilização da categoria que garantiu nossos avanços”, destacou.
Ao abordar uma das principais pautas da greve, Patrick rebateu críticas de que a FASUBRA teria abandonado os aposentados. Ele lembrou que a luta pela aceleração da progressão para aposentados e pensionistas é antiga e que o fato de ela não ter sido conquistada anteriormente não significa falta de empenho da Federação.
“Nunca largamos a mão dos aposentados. Lutamos por essa pauta durante muitos anos, mas a conjuntura política nem sempre permitiu avançar. Hoje conseguimos construir uma solução importante justamente porque seguimos insistindo e mantendo essa reivindicação viva”, afirmou.
O dirigente também fez críticas à condução do governo nas negociações. Para ele, é inadmissível que, após mais de 120 dias de greve, a categoria ainda enfrente dificuldades para ver cumpridos os compromissos assumidos.
“Precisamos fazer críticas ao governo quando elas são necessárias. Não somos prioridade neste momento, e isso precisa ser dito com clareza. A categoria não aceita que acordos assinados deixem de ser cumpridos.”
Entre essas conquistas, Patrick citou a aceleração da progressão para aposentados e pensionistas, os avanços relacionados à jornada de 30 horas, à regulamentação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), ao Grupo de Trabalho sobre democratização das universidades e às demais pautas construídas durante o processo de negociação.
Para o coordenador da APTAFURG, a categoria espera que o acordo firmado seja efetivamente cumprido, independentemente de qual órgão do governo seja responsável pela sua execução.
“A categoria quer apenas uma coisa: que o acordo seja cumprido. Esse é o compromisso que devemos cobrar daqui para frente.”
Patrick também reforçou que a defesa da greve permanece enquanto houver condições políticas para sua continuidade e afirmou que o encerramento do movimento somente deve ocorrer quando a categoria avaliar que o processo de negociação alcançou seus objetivos possíveis dentro da conjuntura existente.
Ao encerrar sua intervenção, destacou que a história do movimento sindical demonstra que direitos como incentivo à qualificação, capacitação e progressões funcionais foram conquistados gradualmente, fruto de sucessivas mobilizações.
“Nenhum desses direitos veio pronto. Todos foram conquistados passo a passo, com muita organização e luta. Por isso, nosso compromisso como dirigentes sindicais e delegados da categoria é fazer uma avaliação responsável da conjuntura, sem criar falsas expectativas, mas também sem desmerecer tudo aquilo que os trabalhadores já conquistaram.”
