APTAFURG participa de audiência pública sobre o fim da escala 6×1 na Câmara Municipal do Rio Grande
A APTAFURG-Sindicato participou nesta quinta-feira (11) da audiência pública realizada na Câmara Municipal do Rio Grande para discutir o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal sem redução salarial. A entidade foi representada pelos coordenadores Patrick Freitas e Maria de Lourdes Lose, que acompanharam os debates ao lado de representantes de diversas entidades sindicais, movimentos sociais, especialistas e autoridades públicas.
A audiência foi proposta pela vereadora Professora Denise Marques e reuniu representantes de sindicatos de diferentes categorias, federações, confederações, centrais sindicais, além de profissionais das áreas do Direito e da Psicologia para debater os impactos da atual jornada de trabalho na vida da classe trabalhadora.
Durante a abertura, a vereadora destacou que o debate sobre o fim da escala 6×1 vai além da discussão sobre horas trabalhadas. Segundo ela, trata-se de um tema relacionado à saúde, qualidade de vida, convivência familiar, qualificação profissional e dignidade humana. Denise ressaltou ainda que a pauta tem forte impacto sobre as mulheres trabalhadoras, que frequentemente enfrentam dupla ou tripla jornada devido às responsabilidades domésticas e aos cuidados familiares.
A parlamentar lembrou que a redução da jornada de trabalho já foi uma conquista histórica da classe trabalhadora brasileira, que passou de 48 para 44 horas semanais, e defendeu que o país avance para uma nova etapa de valorização do trabalho. Ela também destacou pesquisas que apontam amplo apoio popular à proposta de redução da jornada sem diminuição dos salários.
O advogado trabalhista Douglas da Silva apresentou aspectos jurídicos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e da garantia de dois dias de descanso por semana. Segundo ele, o texto reconhece a importância da negociação coletiva e do papel dos sindicatos na construção de modelos que respeitem as especificidades de cada categoria profissional.
Douglas também apresentou dados de órgãos públicos que relacionam jornadas excessivas ao aumento de acidentes de trabalho, doenças ocupacionais e afastamentos por questões de saúde mental. Entre os números apresentados, destacam-se o crescimento dos acidentes de trabalho e dos benefícios concedidos pelo INSS por transtornos relacionados ao trabalho, como ansiedade, estresse e depressão.
A psicóloga Vivian Lopes abordou os impactos da escala 6×1 na saúde mental dos trabalhadores. Ela ressaltou que jornadas extensas reduzem o tempo de recuperação física e psicológica, comprometem o convívio familiar e aumentam os riscos de esgotamento profissional. Vivian defendeu que o descanso adequado deve ser compreendido como um direito fundamental e um elemento indispensável para a qualidade de vida e a dignidade humana.
Representando a Prefeitura Municipal do Rio Grande, a coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres e coordenadora da APTAFURG, Maria de Lourdes Lose, destacou que o debate sobre a redução da jornada está diretamente ligado à realidade das mulheres trabalhadoras. Ela apresentou dados que demonstram a sobrecarga feminina decorrente da soma entre trabalho remunerado e atividades domésticas não remuneradas, reforçando a necessidade de políticas que promovam maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Durante a audiência pública, o coordenador da APTAFURG-Sindicato, Patrick Freitas, reafirmou o compromisso da entidade com a luta pelo fim da escala 6×1 e destacou a importância da unidade entre as diferentes categorias de trabalhadores.
Em sua manifestação, Patrick ressaltou que, embora os servidores públicos federais não estejam submetidos, em sua maioria, a esse regime de trabalho, a categoria reconhece a importância de apoiar essa reivindicação. “A APTAFURG está aqui para reafirmar o papel e o entendimento da necessidade de luta conjunta pelo fim da escala seis por um. Essa não é uma luta que passa apenas pelos trabalhadores da iniciativa privada. Mesmo estando na condição de servidores públicos, somos solidários e entendemos que precisamos lutar juntos para que isso termine de uma vez por todas”, afirmou.
O dirigente sindical destacou que diversos estudos já comprovam os impactos negativos das jornadas exaustivas sobre a saúde física e mental dos trabalhadores. Segundo ele, os altos índices de adoecimento, afastamentos e desgaste psicológico demonstram que a manutenção desse modelo de jornada não encontra sustentação na realidade vivida pela classe trabalhadora.
Patrick também avaliou que a ampliação do tempo de trabalho e a redução dos períodos de descanso fazem parte de uma lógica que dificulta a organização coletiva dos trabalhadores. “Quem não tem tempo de estar com a sua família, de estudar e de se qualificar também não tem tempo de se organizar em sindicato, de participar dos espaços de debate e de construir coletivamente a defesa dos seus direitos”, destacou.
O coordenador observou ainda que a baixa participação de trabalhadores em espaços de discussão como a audiência pública é reflexo das dificuldades impostas pelas próprias condições de trabalho. Para ele, a mobilização e a organização sindical são fundamentais para enfrentar esse cenário e garantir avanços para a classe trabalhadora.
Ao final de sua fala, o coordenador reafirmou o compromisso da APTAFURG com a construção de estratégias conjuntas para avançar na aprovação da proposta no Senado Federal. “Estamos aqui para reafirmar o nosso compromisso com a classe trabalhadora e para construir, de forma coletiva, os caminhos necessários para que essa pauta avance e se transforme em uma conquista concreta para milhões de trabalhadores e trabalhadoras brasileiras”, concluiu.
A audiência pública evidenciou a importância do tema para diferentes categorias profissionais e reafirmou a necessidade de ampliar o debate sobre as condições de trabalho no Brasil. Para a APTAFURG-Sindicato, a discussão sobre o fim da escala 6×1 integra a luta histórica da classe trabalhadora por melhores condições de trabalho, saúde, valorização profissional e qualidade de vida.
![]()
