{"id":6045,"date":"2025-09-29T19:04:42","date_gmt":"2025-09-29T22:04:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aptafurg.org.br\/novo\/?p=6045"},"modified":"2025-09-29T19:04:42","modified_gmt":"2025-09-29T22:04:42","slug":"encontro-nacional-contra-o-assedio-encerra-atividades-em-brasilia-com-homenagens-e-encaminhamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aptafurg.org.br\/novo\/encontro-nacional-contra-o-assedio-encerra-atividades-em-brasilia-com-homenagens-e-encaminhamentos\/","title":{"rendered":"Encontro Nacional contra o Ass\u00e9dio encerra atividades em Bras\u00edlia com homenagens e encaminhamentos"},"content":{"rendered":"<p>Aconteceu no \u00faltimo fim de semana de setembro, no audit\u00f3rio do Centro de Engenharias da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), o Encontro Nacional contra o Ass\u00e9dio Moral, Sexual e em Defesa da Sa\u00fade Mental dos(as) Trabalhadores(as) das Institui\u00e7\u00f5es Federais e Estaduais de Educa\u00e7\u00e3o. O evento re\u00fane dirigentes sindicais, pesquisadores e trabalhadores para discutir estrat\u00e9gias de enfrentamento \u00e0s viol\u00eancias nas institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/p>\n<p>A mesa de abertura contou com as coordenadoras gerais Ivanilda Reis, Loiva Chansis e Ros\u00e2ngela Costa (em substitui\u00e7\u00e3o a Cristina del Papa) e doa coordenadores de Pol\u00edticas Sociais e G\u00eanero, Maristela Cabral e Fernando Borges.<\/p>\n<p>Em sua fala, Loiva Chansis destacou a necessidade de enfrentar o ass\u00e9dio dentro de uma realidade j\u00e1 marcada por opress\u00f5es. \u201cDevemos vivenciar, refletir e tratar uns aos outros com respeito. Democracia se constr\u00f3i tamb\u00e9m no debate, e esse encontro deve nos atualizar e nos fortalecer nesta quest\u00e3o t\u00e3o s\u00e9ria\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Ivanilda Reis trouxe a perspectiva das mulheres negras no espa\u00e7o sindical. \u201c\u00c9 um espa\u00e7o muito dif\u00edcil para n\u00f3s, mas precisamos unificar nossas lutas para garantir um ambiente saud\u00e1vel. N\u00e3o queremos adoecer por causa da milit\u00e2ncia. Acreditamos na import\u00e2ncia do sindicalismo e vamos sair daqui fortalecidas para dar resposta a essa perversa realidade\u201d, declarou.<\/p>\n<p>Ros\u00e2ngela Costa enfatizou o car\u00e1ter formativo da atividade: \u201cNosso papel \u00e9 recepcionar, ouvir e construir coletivamente. Negras, negros, ind\u00edgenas e popula\u00e7\u00f5es historicamente marginalizadas s\u00e3o as que mais sofrem. \u00c9 com esse compromisso que seguimos lutando pela constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds democr\u00e1tico, digno e soberano.\u201d<\/p>\n<p>Na programa\u00e7\u00e3o da manh\u00e3, Ol\u00edvia Tavares analisou como o ass\u00e9dio moral pode se enraizar na cultura das institui\u00e7\u00f5es de ensino, mesmo diante de pol\u00edticas e cursos de preven\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 um desvio individual, mas algo tramado na pr\u00f3pria cultura institucional, que normaliza pr\u00e1ticas de humilha\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Meyriellem Pereira Valentim, especialista em sa\u00fade do trabalhador, apontou que o ass\u00e9dio moral frequentemente se estrutura como pr\u00e1tica de gest\u00e3o. \u201cExpor trabalhadores a situa\u00e7\u00f5es de humilha\u00e7\u00e3o virou, em muitos casos, uma forma de gest\u00e3o. \u00c9 t\u00e3o sutil e perverso que muitas vezes o grupo inteiro naturaliza e concorda\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Meyriellem ainda destacou que pr\u00e1ticas de racismo, intoler\u00e2ncia religiosa e discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero est\u00e3o diretamente ligadas ao fen\u00f4meno. Para ela, a sa\u00edda \u00e9 coletiva: \u201c\u00c9 preciso dar visibilidade, denunciar, e os sindicatos t\u00eam papel central nisso.\u201d<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as apresenta\u00e7\u00f5es das convidadas, foi aberto espa\u00e7o para que as pessoas presentes no plen\u00e1rio pudessem tirar d\u00favidas ou apresentar quest\u00f5es para o debate.<br \/>\nA mesa foi coordenada por Maristela Cabral e Fernando Borges.<\/p>\n<p>A segunda mesa do Encontro Nacional de Pol\u00edticas Sociais: Contra o Ass\u00e9dio Moral, Sexual e Sa\u00fade Mental, na sexta-feira (26), destacou os impactos do ass\u00e9dio nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho e seus reflexos diretos na sa\u00fade mental dos servidores.<\/p>\n<p>A mesa foi mediada pela Coordena\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas Sociais e contou com a participa\u00e7\u00e3o dos palestrantes Bianca Zupirolli e Nelson Aleixo.<\/p>\n<p>Bianca Zupirolli apresentou um panorama sobre os principais sintomas f\u00edsicos e emocionais que podem evoluir para transtornos mentais. \u201cO ass\u00e9dio \u00e9 um caminho direto para o adoecimento do(a) trabalhador(a), comprometendo a dignidade do indiv\u00edduo e a produtividade das Institui\u00e7\u00f5es. Os principais transtornos observados no servidores p\u00fablicos s\u00e3o burnout, depress\u00e3o e ansiedade.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental que os sinais sejam percebidos a tempo\u201d, destacou.<br \/>\nBianca relatou experi\u00eancias vividas em sua pr\u00e1tica profissional e citou sintomas recorrentes, como altera\u00e7\u00f5es de peso, irritabilidade, lapsos de mem\u00f3ria, isolamento social e ins\u00f4nia.<\/p>\n<p>Segundo ela, o estresse cr\u00f4nico \u2014 silencioso e prolongado \u2014 \u00e9 o mais perigoso e mais dif\u00edcil de ser percebido. \u201cNo servi\u00e7o p\u00fablico, esse quadro leva muitos trabalhadores a pedirem transfer\u00eancia ou remo\u00e7\u00e3o, transformando as Institui\u00e7\u00f5es de Ensino em local de passagem para outros concursos, perdendo muitos talentos\u201d, completou.<\/p>\n<p>Nelson Aleixo da Silva J\u00fanior aprofundou a discuss\u00e3o sobre ass\u00e9dio moral, chamando aten\u00e7\u00e3o para a naturaliza\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica. \u201cMuitas vezes come\u00e7a como uma brincadeira e, quando menos se percebe, j\u00e1 virou pr\u00e1tica de humilha\u00e7\u00e3o. A imposi\u00e7\u00e3o de metas imposs\u00edveis tamb\u00e9m \u00e9 ass\u00e9dio moral, pois destr\u00f3i a criatividade e gera ansiedade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Aleixo apresentou ainda dados de pesquisas que associam o ass\u00e9dio moral a sintomas como baixa autoestima, depress\u00e3o, idea\u00e7\u00e3o suicida e at\u00e9 estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. Para ele, o enfrentamento deve ser coletivo: \u201cO ass\u00e9dio retira do(a) trabalhador(a) n\u00e3o apenas sua tranquilidade, mas tamb\u00e9m sua honra e dignidade. Trata-se de uma pr\u00e1tica cultural que precisa ser enfrentada.\u201d<br \/>\nAp\u00f3s as exposi\u00e7\u00f5es, o debate foi aberto para as pessoas presentes no encontro.<br \/>\nNos encaminhamentos finais, Bianca Zupirolli refor\u00e7ou a import\u00e2ncia do acolhimento, da escuta e do acompanhamento psicol\u00f3gico como estrat\u00e9gias para impedir que o servidor permane\u00e7a isolado diante do sofrimento.<\/p>\n<p>Sa\u00fade mental, ass\u00e9dio moral e desafios no servi\u00e7o p\u00fablico marcam segunda mesa do Encontro Nacional de Pol\u00edticas SociaisA segunda mesa do Encontro Nacional de Pol\u00edticas Sociais: Contra o Ass\u00e9dio Moral, Sexual e em Defesa da Sa\u00fade Mental, na sexta-feira (26), destacou os impactos do ass\u00e9dio nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho e seus reflexos diretos na sa\u00fade mental dos servidores.<\/p>\n<p>A mesa foi mediada pela Coordena\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas Sociais e contou com a participa\u00e7\u00e3o dos palestrantes Bianca Zupirolli e Nelson Aleixo.<\/p>\n<p>Bianca Zupirolli apresentou um panorama sobre os principais sintomas f\u00edsicos e emocionais que podem evoluir para transtornos mentais. \u201cO ass\u00e9dio \u00e9 um caminho direto para o adoecimento do(a) trabalhador(a), comprometendo a dignidade do indiv\u00edduo e a produtividade das Institui\u00e7\u00f5es. Os principais transtornos observados no servidores p\u00fablicos s\u00e3o burnout, depress\u00e3o e ansiedade.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental que os sinais sejam percebidos a tempo\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Bianca relatou experi\u00eancias vividas em sua pr\u00e1tica profissional e citou sintomas recorrentes, como altera\u00e7\u00f5es de peso, irritabilidade, lapsos de mem\u00f3ria, isolamento social e ins\u00f4nia.<\/p>\n<p>Segundo ela, o estresse cr\u00f4nico \u2014 silencioso e prolongado \u2014 \u00e9 o mais perigoso e mais dif\u00edcil de ser percebido. \u201cNo servi\u00e7o p\u00fablico, esse quadro leva muitos trabalhadores a pedirem transfer\u00eancia ou remo\u00e7\u00e3o, transformando as Institui\u00e7\u00f5es de Ensino em local de passagem para outros concursos, perdendo muitos talentos\u201d, completou.<\/p>\n<p>Nelson Aleixo da Silva J\u00fanior aprofundou a discuss\u00e3o sobre ass\u00e9dio moral, chamando aten\u00e7\u00e3o para a naturaliza\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica. \u201cMuitas vezes come\u00e7a como uma brincadeira e, quando menos se percebe, j\u00e1 virou pr\u00e1tica de humilha\u00e7\u00e3o. A imposi\u00e7\u00e3o de metas imposs\u00edveis tamb\u00e9m \u00e9 ass\u00e9dio moral, pois destr\u00f3i a criatividade e gera ansiedade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Aleixo apresentou ainda dados de pesquisas que associam o ass\u00e9dio moral a sintomas como baixa autoestima, depress\u00e3o, idea\u00e7\u00e3o suicida e at\u00e9 estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. Para ele, o enfrentamento deve ser coletivo: \u201cO ass\u00e9dio retira do(a) trabalhador(a) n\u00e3o apenas sua tranquilidade, mas tamb\u00e9m sua honra e dignidade. Trata-se de uma pr\u00e1tica cultural que precisa ser enfrentada.\u201d<br \/>\nAp\u00f3s as exposi\u00e7\u00f5es, o debate foi aberto para as pessoas presentes no encontro.<br \/>\nNos encaminhamentos finais, Bianca Zupirolli refor\u00e7ou a import\u00e2ncia do acolhimento, da escuta e do acompanhamento psicol\u00f3gico como estrat\u00e9gias para impedir que o servidor permane\u00e7a isolado diante do sofrimento.<\/p>\n<p>O \u00faltimo dia do Encontro Nacional contra o Ass\u00e9dio Moral e Sexual, realizado no s\u00e1bado (27), foi marcado por emo\u00e7\u00e3o, debates e a apresenta\u00e7\u00e3o de propostas para o enfrentamento ao ass\u00e9dio nas institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/p>\n<p>Na abertura dos trabalhos do dia foi realizada homenagem \u00e0 mem\u00f3ria do ex-dirigente da Federa\u00e7\u00e3o, Pedro Rosa Cabral, falecido no dia 22 de setembro. O dirigente foi lembrado por sua trajet\u00f3ria dedicada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um movimento sindical aut\u00f4nomo e comprometido com a transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, houve o compartilhamento de experi\u00eancias e procedimentos pelas entidades presentes, com destaque para os projetos, desafios e perspectivas sobre o enfrentamento ao ass\u00e9dio nas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A tarde do dia 27, foi dedicada debate sobre Estrat\u00e9gias de combate ao ass\u00e9dio moral e sexual, elementos para construir uma cultura de ambiente organizacional com sa\u00fade mental com a participa\u00e7\u00e3o virtual da psic\u00f3loga Kathleen Magina, assessora t\u00e9cnica da lideran\u00e7a do PSOL na C\u00e2mara; da advogada Rubia Abs, mestre em Direitos Humanos e coordenadora nacional do CLADEM Brasil; e do advogado da FASUBRA, Cl\u00e1udio Santos. Os painelistas discutiram temas como legisla\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas p\u00fablicas, canais de den\u00fancia e acolhimento, empoderamento e educa\u00e7\u00e3o contra a cultura do ass\u00e9dio e a\u00e7\u00f5es de combate.<\/p>\n<p>No encerramento do encontro, a coordenadora Maristela Cabral apresentou um balan\u00e7o positivo da atividade, que contou com a presen\u00e7a de 14 entidades e 66 participantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aconteceu no \u00faltimo fim de semana de setembro, no audit\u00f3rio do Centro de Engenharias da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), o Encontro Nacional contra o Ass\u00e9dio Moral, Sexual e em Defesa da Sa\u00fade Mental dos(as) Trabalhadores(as) das Institui\u00e7\u00f5es Federais e Estaduais de Educa\u00e7\u00e3o. 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