{"id":4797,"date":"2024-02-20T10:04:56","date_gmt":"2024-02-20T13:04:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aptafurg.org.br\/novo\/?p=4797"},"modified":"2024-02-20T10:04:56","modified_gmt":"2024-02-20T13:04:56","slug":"permita-me-que-eu-fale-nao-as-minhas-cicatrizes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aptafurg.org.br\/novo\/permita-me-que-eu-fale-nao-as-minhas-cicatrizes\/","title":{"rendered":"Permita-me que eu fale, n\u00e3o as minhas cicatrizes"},"content":{"rendered":"<p class=\"s6\"><span class=\"s5\">Tain\u00e1 Valente Amaro &#8211; Psic\u00f3loga &#8211; Mestre em Psicologia Social. Professora substituta de Psicologia da FURG.<\/span><\/p>\n<p class=\"s7\"><span class=\"s5\">No m\u00eas de Novembro, somos atingidos por not\u00edcias sobre o tema Consci\u00eancia Negra. Por\u00e9m, pouco se ouve para al\u00e9m dos sofrimentos vivenciados pela popula\u00e7\u00e3o negra. Por isso, escolho como t\u00edtulo para esse texto parte da m\u00fasica <\/span><span class=\"s3\">Amarelo<\/span><span class=\"s5\">, do cantor Emicida.<\/span><\/p>\n<p class=\"s7\"><span class=\"s5\">Sabemos que o racismo atravessa e produz adoecimento psicossocial e do quanto ele dita como a popula\u00e7\u00e3o negra sente, enxerga e vive. Mas, para al\u00e9m disso, \u00e9 preciso pensar nas estrat\u00e9gias de <\/span><span class=\"s5\">(re)exist\u00eancia criadas por pessoas pretas, pois \u00e9 atrav\u00e9s delas que comunicamos as nossas potencialidades, sonhos, desejos e necessidades.<\/span><\/p>\n<p class=\"s7\"><span class=\"s5\">Nos \u00faltimos anos a sa\u00fade mental tem ganhado uma maior visibilidade, principalmente ap\u00f3s a pandemia. E sempre que eu falo sobre a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o negra, refor\u00e7o o quanto precisamos pensar o bem estar, o bem-viver, os voos poss\u00edveis e nossas proje\u00e7\u00f5es para o futuro. Entender que somos mais do que esse passado marcado pela escraviza\u00e7\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o, \u00e9 nos humanizar. O passado nunca deve ser esquecido, mas a nossa capacidade de constru\u00e7\u00e3o para al\u00e9m dele \u00e9 o que nos movimenta de forma saud\u00e1vel. Mas como \u00e9 poss\u00edvel seguir essa busca quando constantemente nos deparamos com situa\u00e7\u00f5es que acionam o sentimento de n\u00e3o pertencimento?<\/span><\/p>\n<p class=\"s7\"><span class=\"s5\">De acordo com uma<\/span><span class=\"s5\"> pesquisa recente, realizada pela Globo e intitulada \u201cO que falta para reinar? As Dimens\u00f5es do Consumo Afro-Brasileiro\u201d, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o negra sente algum tipo de discrimina\u00e7\u00e3o ao entrar em estabelecimentos comerciais. Os resultados foram divulgados durante o Festival Negritudes Globo e apontam que 79% dos consumidores negros acreditam que a discrimina\u00e7\u00e3o racial vivida durante as compras afeta diretamente sua sa\u00fade mental e autoestima.<\/span><\/p>\n<p class=\"s7\"><span class=\"s5\">De acordo com Grada Kilomba, escritora e artista multidisciplinar, o racismo est\u00e1 presente em nossas mem\u00f3rias e afetos, o que torna necess\u00e1ria a constru\u00e7\u00e3o de caminhos e espa\u00e7os de cura para esses traumas. Portanto, os dados confirmam o fato de que situa\u00e7\u00f5es como essas acionam lembran\u00e7as que est\u00e3o em nossos corpos, mesmo que a gente n\u00e3o saiba muitas vezes identific\u00e1-las.<\/span><\/p>\n<p class=\"s7\"><span class=\"s5\">Este ano, tivemos o lan\u00e7amento da Frente Nacional de Negras e Negros da Sa\u00fade Mental (FENNASM), uma articula\u00e7\u00e3o de pessoas pretas trabalhadoras, estudantes, militantes, usu\u00e1rias e pesquisadoras da sa\u00fade mental. E podemos, sim, considerar esse movimento como um grande avan\u00e7o, pois \u00e9 fundamental pensarmos os &nbsp;atravessamentos raciais na sa\u00fade mental para que seja poss\u00edvel repensar a constru\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os de sa\u00fade. Afinal de contas, o acesso a esses ambientes \u00e9 um direito de todos.<\/span><\/p>\n<p class=\"s7\"><span class=\"s5\">Quanto pessoas pretas, precisamos identificar em n\u00f3s a capacidade de produzir, a partir de nossos pr\u00f3prios termos, a nossa hist\u00f3ria. E esse movimento perpassa pelo reconhecimento de cria\u00e7\u00e3o, protagonismo e do resgate de nossa humanidade, que os traumas raciais roubam.<\/span><\/p>\n<p class=\"s7\"><span class=\"s5\">Retomando aos os versos de Amarelo, quando Emicida fala que \u201cse isso \u00e9 sobreviv\u00eancia, nos resumir a sobreviv\u00eancia \u00e9 roubar as coisas boas que vivemos\u201d, ele nos d\u00e1 pistas para que n\u00e3o deixemos que as experi\u00eancias de falta ditem nossas a\u00e7\u00f5es e nossas viv\u00eancias. <\/span><\/p>\n<p class=\"s7\"><span class=\"s5\">Conseguir enxergar nossa fam\u00edlia, coletivos e os diversos espa\u00e7os educativos que criamos e protagonizamos como pilares para que possamos construir boas experi\u00eancias \u00e9 o que ir\u00e1 nos fortalecer para seguir em frente.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tain\u00e1 Valente Amaro &#8211; Psic\u00f3loga &#8211; Mestre em Psicologia Social. Professora substituta de Psicologia da FURG. 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