{"id":4759,"date":"2023-12-19T17:26:43","date_gmt":"2023-12-19T20:26:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aptafurg.org.br\/novo\/?p=4759"},"modified":"2023-12-19T17:33:59","modified_gmt":"2023-12-19T20:33:59","slug":"reflexoes-a-cerca-dos-desafios-enfrentados-pelo-feminismo-negro-na-area-das-exatas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aptafurg.org.br\/novo\/reflexoes-a-cerca-dos-desafios-enfrentados-pelo-feminismo-negro-na-area-das-exatas\/","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es a cerca dos desafios enfrentados pelo Feminismo Negro na \u00e1rea das Exatas"},"content":{"rendered":"<p>Emanuele Ferreira Lessa- MSc. Qu\u00edmica, atualmente&nbsp; doutoranda em Qu\u00edmica Tecnol\u00f3gica e Ambiental na \u00e1rea de F\u00edsico-qu\u00edmica. Pesquisadora com \u00eanfase no desenvolvimento de dispositivos par adsor\u00e7\u00e3o de&nbsp; efluentes em corpos d&#8217;\u00e1gua. T\u00e9cnica em Qu\u00edmica no IFSUL&nbsp; Pelotas, Gradua\u00e7\u00e3o em Pedagogia&nbsp; e Licenciatura em Qu\u00edmica- UFPEL<\/p>\n<p>Novembro \u00e9 o m\u00eas em que fala-se sobre consci\u00eancia negra no Brasil, o \u00faltimo pa\u00eds a abolir a escravid\u00e3o. Mas por que ainda nos dias atuais \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1rio lembrar sobre as quest\u00f5es da desigualdade social que enfrentamos no Brasil? E por que \u00e9 relevante refletir sobre as quest\u00f5es de g\u00eanero e ra\u00e7a, sobretudo nas universidades brasileiras? Eu, enquanto mulher, negra e discente de um programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de uma universidade p\u00fablica na \u00e1rea das exatas, tendo ingressado na mesma a partir das cotas raciais, sinto-me na obriga\u00e7\u00e3o de compartilhar com os leitores um pouco da jornada acad\u00eamica que \u00e9, muitas vezes, solit\u00e1ria, muito pela quest\u00e3o da pouca representatividade negra nos espa\u00e7os acad\u00eamicos. Enquanto defensora do feminismo e do feminismo negro na universidade, percebo o quanto nossa sociedade precisa melhorar nesse aspecto criando a\u00e7\u00f5es que venham a contemplar a participa\u00e7\u00e3o das mulheres. Mesmo sabendo que historicamente, as mulheres enfrentaram in\u00fameros desafios na tentativa de inserir-se nas ci\u00eancias, por ser um ambiente estruturalmente concebido e moldado para atender \u00e0s necessidades dos homens, escolhi a \u00e1rea das exatas. Mas fazendo um recorte mais recente, percebe-se que esse paradigma n\u00e3o foi alterado com o passar dos anos e por isso as reflex\u00f5es sobre o ingresso e perman\u00eancia principalmente de mulheres negras na universidade \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>Recentemente, no que se refere a inclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra na universidade a Lei das cotas raciais \u2013 Lei 12.711\/2012 tem sido efetiva, em seus 10 anos de a\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel constatar resultados positivos como, em 2018 quando os negros se tornaram a maioria nas universidades federais com 50,3% (IBGE, Desigualdades Sociais por cor ou ra\u00e7a, 2019), tendo sido aprovada esse ano sua atualiza\u00e7\u00e3o a fim de contemplar a grande maioria dos estudantes. Por\u00e9m, na quest\u00e3o do g\u00eanero nesses ambientes ainda \u00e9 not\u00e1vel que a representatividade feminina est\u00e1 longe de refletir a composi\u00e7\u00e3o racial do pa\u00eds. Cabe ainda um par\u00eanteses no que trata-se das mulheres negras universit\u00e1rias, elas sofrem dupla opress\u00e3o que amplia sua vulnerabilidade. Dessa forma, abordar pautas feministas, sem falar sobre as discrimina\u00e7\u00f5es sofridas por mulheres racializadas, \u00e9 calar as vozes dessas pessoas. Nas universidades do Brasil, em 2021, as mulheres representam a maioria como membros do ensino superior nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, sendo as mulheres negras maioria enquanto estudantes. Por\u00e9m, a compreens\u00e3o dos processos que levam \u00e0 exclus\u00e3o da mulher negra nas Ci\u00eancias requer um olhar mais amplo sobre as m\u00faltiplas opress\u00f5es que se somam de modo intrincado e produzem formas combinadas de exclus\u00e3o e desigualdade social. Vale ressaltar que apesar da pequena representatividade negra enquanto cientistas no Brasil, as mulheres trazem pesquisas de muito valorosas, principalmente nas \u00e1reas historicamente dominadas por homens.&nbsp;<\/p>\n<p>O interesse das mulheres negras pela ci\u00eancia pode surgir de repente, e \u00e9 comum sentir-se perdida para come\u00e7ar a explorar todas as possibilidades, isso ocorre devido \u00e0 falta de refer\u00eancias. No Brasil, a representatividade feminina \u00e9 mais expressiva nas ci\u00eancias da sa\u00fade e da vida. Contudo, nas ci\u00eancias exatas &#8211; f\u00edsica, qu\u00edmica, engenharia, matem\u00e1tica e astronomia &#8211; apenas 25% das mulheres est\u00e3o presentes, de acordo com a UNESCO. Para as mulheres negras, os desafios s\u00e3o maiores devido aos preconceitos de g\u00eanero e ra\u00e7a, causadores do distanciamento de oportunidades nessas \u00e1reas que muitas vezes impedem futuros talentos nas ci\u00eancias exatas. Apesar da escassa representatividade feminina negra, \u00e9 fundamental que todas as meninas negras resistam e continuem com seus interesses na ci\u00eancia. Acredito que \u00e9 preciso incentivar as mulheres negras que est\u00e3o nesses espa\u00e7os educacionais para que elas ingressem e permane\u00e7am. N\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil, mas enquanto acad\u00eamica enfatizo que, mesmo diante da baixa representatividade, devemos seguir para nos projetar futuramente e garantir destaque em todas as \u00e1reas em especial \u00e0s exatas. \u00c9 preciso buscar melhorias a partir da educa\u00e7\u00e3o antirracista, pesquisas da atualidade tem trazido contribui\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a perman\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra nas universidades, descrevendo o sentimento de n\u00e3o pertencimento ao adentrarem nas salas de aula &#8211; espa\u00e7os de poder legitimamente ocupados em sua maioria por pessoas n\u00e3o negras. Considero imprescind\u00edveis reflex\u00f5es e debates sobre desafios enfrentados por mulheres negras na academia para construir um novo pacto civilizat\u00f3rio, baseado na justi\u00e7a, equidade racial e democracia.<\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-4759 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.aptafurg.org.br\/novo\/reflexoes-a-cerca-dos-desafios-enfrentados-pelo-feminismo-negro-na-area-das-exatas\/captura-de-tela-2023-12-19-as-17-25-16-2\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.aptafurg.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Captura-de-Tela-2023-12-19-a\u0300s-17.25.16-1-150x150.png\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Emanuele Ferreira Lessa- MSc. 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