{"id":4525,"date":"2023-08-29T09:48:26","date_gmt":"2023-08-29T12:48:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aptafurg.org.br\/novo\/?p=4525"},"modified":"2023-08-29T13:51:32","modified_gmt":"2023-08-29T16:51:32","slug":"visibilidade-lesbica-desconstrucaodos-paradigmas-genero-sexuais-identitario-na-conquista-de-direitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aptafurg.org.br\/novo\/visibilidade-lesbica-desconstrucaodos-paradigmas-genero-sexuais-identitario-na-conquista-de-direitos\/","title":{"rendered":"29 de agosto- Visibilidade L\u00e9sbica: Desconstru\u00e7\u00e3o dos paradigmas g\u00eanero-sexuais identit\u00e1rio na conquista de direitos"},"content":{"rendered":"\n<p>jornalAGOSTO DE 2023.cdr<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carla Rocha <\/strong>&#8211; Auxiliar de enfermagem no Hospital Universit\u00e1rio da Furg. Enfermeira, Mestranda pela PPGENF &#8211; Graduanda em Pedagogia para graduados n\u00e3o licenciados &#8211; IFSUL e coordenadora da APTAFURG.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Renato Zacarias Silva <\/strong>&#8211; Bi\u00f3logo, Doutor em Oceanografia Biol\u00f3gica, T\u00e9cnico Administrativo em Educa\u00e7\u00e3o &#8211; Zoologia<\/p>\n\n\n\n<p>Comemora-se no dia 29 de agosto, o Dia Nacional da Visibilidade L\u00e9sbica. Esta data compreende um marco hist\u00f3rico de luta democr\u00e1tica pela garantia dos&nbsp; direitos sociais desta importante parcela da sociedade, de modo a transcender a comunidade l\u00e9sbica, se refletir e se estender a outras esferas da sociedade . Considerando que resistimos a tempos sombrios de extremo conservadorismo e arbitrariedades, onde vivenciamos um golpe pol\u00edtico e jur\u00eddico no pa\u00eds que criou um estado de emerg\u00eancia, tornando-se necess\u00e1rio a reestrutura\u00e7\u00e3o da democracia e a\u00e7\u00f5es contra todo tipo de intoler\u00e2ncia, inclusive a lesbofobia.<\/p>\n\n\n\n<p>Visto que, atualmente, vivemos uma \u00e9poca de reprodu\u00e7\u00e3o social de sexismo, machismo, misoginia, LGBTQIA+fobia e de narrativas discriminat\u00f3rias e segregacionistas Assim, palavras e a\u00e7\u00f5es atacam violentamente o ser Humano dentro das suas especificidades, sem a menor hesita\u00e7\u00e3o, ferindo a dignidade humana que \u00e9 um dos preceitos fundamentais da nossa <em>Lex Mater<\/em> \u2013 A nossa Constitui\u00e7\u00e3o Federal ou Constitui\u00e7\u00e3o Solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando que a identidade de g\u00eanero \u00e9 imprescind\u00edvel para a dignidade e humanidade de cada individuo, a mesma n\u00e3o deve ser base para discrimina\u00e7\u00e3o ou viol\u00eancias. No entanto, as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos em que a orienta\u00e7\u00e3o sexual e a identidade de g\u00eanero afetam as pessoas, sejam elas declaradas ou veladas, continuam a ser uma realidade avassaladora.<\/p>\n\n\n\n<p>A obscuridade e a obstusidade de pensamento deposita enorme peso da discrimina\u00e7\u00e3o, por exemplo, laboral, funcional e civil sobre a popula\u00e7\u00e3o l\u00e9sbica. Este peso discriminat\u00f3rio est\u00e1 atrelado tamb\u00e9m aos aspectos de sexualidade e identidade, ou seja, se a mulher l\u00e9sbica \u00e9 mais heteronormativa ou menos heteronormativa. \u00c9 not\u00f3rio que aquelas menos heteronormativas (mais masculinizadas e menos cisg\u00eanero) tendem a ser mais discriminadas nos diversos setores sociais laborais e familiares. Al\u00e9m dos aspectos de heteronormatividade e cisgeneridade h\u00e1 o hist\u00f3rico de vida de ter nascido mulher e nossa sociedade patriarcal, masculinista, machista, mis\u00f3gina e androcentrada aponta as mulheres <em>per se <\/em>e <em>lato sensu<\/em>, como algo de menor valor.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a mulher, ser l\u00e9sbica \u00e9 uma m\u00e1cula adicional, \u00e9 a letra escarlate que brilha no seu peito para ser p\u00e1ria na sociedade ou o tri\u00e2ngulo invertido que indicava os homossexuais que seriam utilizados nos horrendos experimentos genocidas nazistas. Dentro destes e outros prismas maculantes as piadas e coment\u00e1rios machistas e mis\u00f3ginos se fazem quase sempre presentes, abordando o <em>sanctus phallus<\/em> (entenda: estupro corretivo) e a suposta capacidade convertiva que o macho-humano tem de \u201ccurar\u201d a lesbianidade com o seu \u201cdivino\u201d p\u00eanis. Quem nunca escutou coment\u00e1rios como: \u201cEla \u00e9 assim porque nunca encontrou um homem de verdade\u201d&#8230; \u201cQue desperd\u00edcio de mulher, t\u00e3o bonita, mas machorra\u201d&#8230;\u201dFalta para ela \u00e9 algo duro entre as pernas\u201d&#8230; \u00c9 grosseiro escrever isto? Pode at\u00e9 ser, mas \u00e9 a realidade das falas mutiladoras, ou melhor, estupradoras com as quais mulheres l\u00e9sbicas se deparam ao longo da vida, dentro e fora de casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda esta situa\u00e7\u00e3o de obscuridade mostra que precisamos dar voz a essa luta e continuar a contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de um pensamento cr\u00edtico e reflexivo&nbsp; sobre estas quest\u00f5es. N\u00e3o podemos esquecer que somos seres em profunda evolu\u00e7\u00e3o pessoal e intelectual. Devemos reconhecer que, independente de g\u00eanero-sexualidade-identidade, somos seres racistas, machistas e multi-espectro-f\u00f3bios em desconstru\u00e7\u00e3o (ou ao menos dever\u00edamos estar em desconstru\u00e7\u00e3o constante). A viol\u00eancia surge em v\u00e1rias narrativas como antagonista ao direito de viver uma sexualidade fora da heteronormatividade e cisgeneridade. <a><\/a>Sabendo-se que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos e os mesmos s\u00e3o universais, interdependentes, indivis\u00edveis e inter-relacionados, faz-se necess\u00e1rio entender a visibilidade l\u00e9sbica como uma ferramenta de constru\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-pol\u00edtica e n\u00e3o apenas como a simples liberdade da express\u00e3o da identidade ou&nbsp; orienta\u00e7\u00e3o sexual. Esta \u00e9 uma das formas de erradicar as institui\u00e7\u00f5es heteronormativas e a heterossexualidade coercitiva. N\u00e3o esquecendo Simone de Beauvoir em O Segundo Sexo (<em>Le Deuxi\u00e8me Sexe<\/em>, 1949): N\u00e3o nascemos mulheres: nos tornamos uma (<em>on ne na\u00edt pas femme: on le devient<\/em>) porque ser mulher n\u00e3o \u00e9 ser simplesmente uma f\u00eamea, ser mulher \u00e9 muito mais do que o genital nos diz e a castra\u00e7\u00e3o social permite. Ser l\u00e9sbica n\u00e3o desfaz o Ser-Mulher como filha, como m\u00e3e, como av\u00f3, como pensadora, como trabalhadora, como cidad\u00e3, dentre outras coisas. Que todas possam e devam ser as mesclas de Mulher (com \u201cM\u201d mai\u00fasculo mesmo!) que quiserem em um mundo que tamb\u00e9m lhes pertence e ao qual pertencem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>jornalAGOSTO DE 2023.cdr Carla Rocha &#8211; Auxiliar de enfermagem no Hospital Universit\u00e1rio da Furg. Enfermeira, Mestranda pela PPGENF &#8211; Graduanda em Pedagogia para graduados n\u00e3o licenciados &#8211; IFSUL e coordenadora da APTAFURG. 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